Pastor na Malásia foi vítima de desaparecimento forçado pelo Estado

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04/04/2019

Em junho do ano passado nós reportamos o desaparecimento do pastor Raymond Koh, dos cristãos Joshua e Ruth Hilmy e do ativista Amri Che Mat. Depois de uma longa espera ontem a Comissão de Direitos Humanos da Malásia publicou suas conclusões e decisões finais sobre o desaparecimento do pastor. O relatório lido dizia: “O júri tem a opinião unânime de que o pastor Raymond Koh é vítima de desaparecimento forçado ocorrido no dia 13 de fevereiro de 2017 às 10h45. As evidências diretas e circunstanciais do caso do pastor Raymond Koh provam, em um saldo de probabilidades, que ele foi sequestrado por agentes do Estado. O relatório é assinado por, Filial Especial, Bukit Aman, Kuala Lumpur”. O júri também fez um comentário semelhante sobre o ativista Amri Che Mat, que é um muçulmano xiita, grupo que é proibido na Malásia. O presidente do júri apontou que existem muitas semelhanças nos dois casos. Por exemplo, que ambos foram vítimas de autoridades religiosas e da polícia sob alegações de que eles estavam envolvidos em questões contra o islamismo na Malásia, e que havia vigilância direta de suas atividades antes de desaparecerem.

Entre as recomendações, a Comissão de Direitos Humanos da Malásia pede que o caso do pastor Raymond Koh seja reclassificado como desaparecimento forçado, que a luz da justiça é diferente de simples desaparecimento, e que toda investigação necessária seja conduzida sob a nova classificação. Isso garante mais rigor nos procedimentos e a condução dos trabalhos feita por agentes neutros, sem ligação com o governo.

Ao final dos procedimentos, Susanna Koh, esposa do pastor Raymond Koh, disse “que estão felizes com a decisão de que eles foram vítimas de desaparecimento forçado, e que são gratos por tudo que foi feito, mas que gostaria de ter o marido de volta são e salvo”. Ela falou ainda “não saber porque eles foram levados, uma vez que que a Malásia é um país moderado, onde deveria haver liberdade de religião para praticar a fé de cada um”. A missão Portas Abertas pede oração pelas famílias dos desaparecidos e para que o governo da Malásia aceite as recomendações da Comissão de Direitos Humanos sobre liberdade de religião.

 Produção e apresentação:Daniel Beltrão
Coordenação:Kaká Rodrigues
Supervisão: André Castilho
Realização:Rádio Trans Mundial