Muçulmanos pedem a morte de juízes que decidiram pela liberdade de Asia Bibi

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05/11/2018

Na última, quarta feira, dia 31 de outubro, a Suprema Corte do Paquistão libertou Asia Bibi, mulher cristã que havia sido condenada por blasfêmia contra o Islã. Foi uma excelente notícia exatamente no dia dos 501 anos da Reforma Protestante. Mas infelizmente conforme era previsto a decisão do tribunal provocou protestos e ameaças de morte de políticos muçulmanos.

Asia Bibi, mãe de quatro filhos, estava no corredor da morte desde 2010, quando se tornou a primeira mulher a ser sentenciada à morte por enforcamento sob as leis de blasfêmia do Paquistão, considerada pelos críticos muito duras e mal utilizadas. Ela foi condenada após suas vizinhas alegarem que ela insultou o Islã, depois que se negaram a compartilhar um copo de água com ela. Bibi sempre negou cometer blasfêmia.

O caso tem comovido cristãos em todo o mundo e provocado uma intensa divisão dentro do Paquistão, onde dois políticos que se envolveram na defesa de Bibi foram assassinados.

O chefe de Justiça, Saqib Nisar, que liderou uma comissão especial com três juízes, citou o Alcorão em sua decisão, afirmando que “a tolerância é o princípio básico do Islã” e notando que a religião condena a injustiça e a opressão.

Bibi não apareceu no tribunal e seu paradeiro está sendo mantido em segredo, por medo de ataques contra ela e sua família. Muitos especularam que eles serão forçados a deixar o país, mas não houve confirmação de seus planos. Os defensores do partido político islâmico TLP imediatamente condenaram a decisão de quarta-feira e bloquearam as estradas nas principais cidades. Um dos principais líderes do TLP pediu a morte do chefe de justiça, Nisar e dos outros dois juízes.

O TLP foi fundado a partir de um movimento de apoio a um guarda-costas que assassinou o governador da província de Punjab, Salman Taseer, por defender Bibi em 2011. O ministro federal das minorias, Shahbaz Bhatti, também foi morto depois de pedir sua libertação.

Fonte: Guiame

 

Produção e apresentação: Daniel Beltrão
Coordenação: Kaká Rodrigues
Supervisão: André Castilho
Realização: Rádio Trans Mundial