Igreja centro africana media acordo de paz

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22/06/2017

No dia 19 de junho, o governo da República Centro Africana assinou um acordo com 13 dos 14 grupos armados do país. O objetivo é acabar com os conflitos étnicos e religiosos que já tiraram a vida de milhares de pessoas. O acordo, que foi mediado por um grupo cristão e assinado em terras estrangeiras, solicita o fim imediato das hostilidades e reconhece os resultados das eleições presidenciais do ano passado.

O país foi tomado pela violência a partir de 2013, quando rebeldes do grupo extremista Seleka, formado principalmente por muçulmanos, ganharam poder. Isso provocou represálias das milícias anti-Balaka, cujos ativistas são principalmente animistas. Em apenas duas semanas, em maio deste ano, a luta entre milícias tirou a vida de cerca de 300 pessoas e deslocou outras 100 mil. Cerca de 2 milhões e duzentas mil de pessoas, quase metade da população do país, precisa de ajuda humanitária, de acordo com as Nações Unidas. A República Centro Africana está entre os dez países mais pobres do mundo.

Assinando o acordo de paz, as partes se comprometeram a restaurar a autoridade do estado em todo o território nacional, em troca de representação nos processos políticos do país. O governo se comprometeu a garantir que os grupos sejam representados em todos os níveis.

Parfait Onanga-Anyanga, chefe da missão da ONU na República Centro-Africana, chamada de MINUSCA, recebeu com esperança esse importante passo para a paz. Ele disse que a prioridade é o fim imediato das hostilidades para acabar com o sofrimento da população.

Porém, a desconfiança permanece. No passado, outros acordos assinados não trouxeram paz duradoura no país, incluindo o Acordo de Paz de Brazzaville de julho de 2014, e o Fórum Nacional de Bangui de maio de 2016. A Republica Centro Africana foi colonizada pela França e conquistou sua independência em 1960. Até a década de 1990 o país foi governado por sucessivos governos autoritários. Somente em 1993 o país teve sua primeira eleição democrática e elegeu Ange Félix Patassé como presidente. Em 2003, através de um golpe de Estado, o general François Bozizé destituiu Patassé e assumiu o poder. Desde então o país vive em situação de guerra civil.

Fonte: Portas Abertas

Confira a Reportagem:

 

Produção e apresentação: Daniel Beltrão
Coordenação: Renata Theodoro
Supervisão: André Castilho
Realização: Rádio Trans Mundial