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Em seu livro ‘Os quatro amores’ C.S. Lewis afirma: “Amar é ser vulnerável!” Particularmente, fico encantada com tudo o que essa declaração traduz, mas se formos honestas, diremos que a sensação de vulnerabilidade é extremamente incômoda, especialmente em se tratando de amor.

Ansiamos por relacionamentos profundos, desejamos amizades intensas, mas tememos tomar a iniciativa. Dar o primeiro passo significa expor, ainda que de uma maneira sutil, o nosso coração, o que imediatamente, e às vezes até secretamente, nos causa pânico. “E se a pessoa não corresponder o nosso desejo de crescer num relacionamento?” é a pergunta que ressoa em nossas mentes fazendo com que nosso modo de autodefesa seja ativado e encerrando algo que nunca começou. Penso em amizades lindas que tenho hoje pela coragem dos meus amigos terem dado o primeiro passo na minha direção. Graças a Deus, eles se fizeram vulneráveis.

Mas, sabemos que a vulnerabilidade da inciativa é apenas o começo. À medida que um relacionamento se aprofunda, o nível de fragilidade aumenta na mesma proporção. Aos poucos vamos nos doando e convidando o objeto do nosso amor a participar mais intimamente do nosso universo. Sem que percebamos, nos fazemos vulneráveis. A questão é que todo relacionamento é singular e nem todos vão responder à nossa intensidade na mesma medida, e só existe uma maneira de descobrir em qual nível está nossa amizade: tomando, muitas vezes, a iniciativa ao longo do caminho.

Todos sabemos que é um passo difícil de ser dado, pois, toda vez que nos frustramos, sentimos que nosso amor foi desprezado. Lembramos da canção: “Você jogou fora o amor que te dei”! E afirmamos: “Nunca mais vou amar novamente!” A dor pode despertar essas emoções e nos levar a cometer a loucura de fechar nosso coração pra sempre e não mais nos permitir experimentarmos a vulnerabilidade.

Talvez você me diga: “Não há loucura nenhuma nisso, loucura é sofrer pelo amor desperdiçado!”  Sabemos que vivemos no mundo real e que às vezes as pessoas não correspondem nosso carinho ou amizade. Entretanto, não podemos jogar fora tudo de lindo que temos. Quantos relacionamentos maravilhosos e profundos temos hoje, que, só foram solidificados, pelas iniciativas tomadas ao longo do caminho? Trancar o coração pode ter um fim desastroso: fazer com que um coração que antes era pulsante, saudável e feliz se transforme num coração inquebrável, impenetrável e irrecuperável.

Amar é um privilégio que nos torna vulneráveis e sensíveis. Amamos porque Ele nos amou primeiro. Amamos porque Deus é nossa fonte de amor. O salmo 136.1 diz: “Deem graças ao Senhor, porque ele é bom. O seu amor dura para sempre! O amor do Senhor é estável, imutável, incondicional e eterno. Todos os dias Ele toma a iniciativa em estender seu amor a nós e nos convidar a um relacionamento mais íntimo e próximo com ele. Ele não desperdiça o nosso amor e nos ensina a amar. Seu amor é incomparável, por isso afirmamos como o salmista: “O teu amor é melhor do que a vida! Por isso os meus lábios te exaltarão.” (Salmos 63:3)

No eterno amor do Senhor,

Susie PeK – Coordenadora do Mulheres de Esperança RTM Brasil, América Latina & Caribe